As origens de Paulinho da Viola
Paulo
Paulinho
da Viola nasce em novembro de 1942, no bairro de Botafogo, RJ, com o nome de
Paulo César Baptista de Faria.. O pai, Benedito, era funcionário da Justiça
federal, tocava no maior grupo de Choro da história, o “Época de Ouro”.
Paulinho respirava música desde criança através dos saraus que o pai fazia em
casa, onde eram frequentadores assíduos Jacob do Bandolim, Pixinguinha e
outros.
A
exemplo de Benedito, Jacob do Bandolim também não dependia da música para
sobreviver, e isso conferia a ambos independência para a resistência e
desenvolvimento do choro na vida musical brasileira. Por isso, talvez, Paulinho
também nunca se viu ganhando a vida com música e, aos 19 anos, foi ser
bancário.
Um
dia, atendendo clientes no banco, reconhece Hermínio de Carvalho, grande
compositor de choros, e se aproxima do antigo participante das reuniões
musicais na casa do pai. Essa aproximação levará Paulinho a conhecer gravações
em vinil de compositores como como Zé Kety, Cartola, Carlos Cachaça, Nelson
Cavaquinho e outros, além de composições do próprio Hermínio. A partir daí,
Paulinho mostra para Hermínio composições de sua autoria, nascendo dessa
informalidade as primeiras parcerias, onde a música “Valsa da Solidão”, gravada
por Elizeth Cardoso, é dessa época. O
ano é 1964, mesmo período em que os militares assumem o poder, mas isso não
interfere na produção musical de Paulinho e seus parceiros.
Por
essa época já havia o Zicartola, que foi um lendário bar e restaurante que
misturava comida caseira com roda de samba na mesma panela, produzindo uma
receita de sucesso. Pelas mãos de Hermínio, Paulinho se apresenta no Zicartola e
chama atenção pelo seu jeito de tocar viola, voz mansa e pela afinação. Os portões do samba
estavam abertos para Paulinho da Viola. O Zicartola fecha as portas com menos
de dois anos de vida pela incompetência de Cartola em administrar um
estabelecimento comercial, em contraponto à sua genialidade musical.
No
pouco tempo de vida, o Zicartola teve uma influência imensa na cena musical do
país, e é até hoje uma lenda, responsável pela renascença do autentico samba
brasileiro e pedra fundamental da ascensão de Paulinho da Viola ao time de
primeira linha da música popular brasileira. O Zicartola criou um reduto de
samba fora do morro, onde os maiores
expoentes se encontravam, cantavam, compunham, discutiam e disseminavam o samba
da favela pela sociedade.
Referência: Moreira,
Ricardo. A época de ouro do samba. In: A dança da Solidão. S. Paulo: Moderna,
2010 (coleção Estadão: Grande Discoteca Brasileira; v.20).


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